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36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Sentir-se amado

Trechos do texto da Martha Medeiros:

“(...) Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. (...)

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. (...)

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.”

terça-feira, janeiro 26, 2010

Insanidade

Balaio de gato, controvérsias.
Torrente de emoções sem controle.
Palavras tolas, sem motivo.
Necessidade de intensidade vazia...

Será que todo mundo é assim?
Almeja a tranquilidade,
Enquanto causa a tormenta?
Insanidade isolada ou coletiva?

domingo, dezembro 13, 2009

Pisca-pisca

"...a vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.(...)
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre – perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese.
"

Monteiro Lobato, em Memórias da Emília. Genial essa boneca!

Declaração de amor

Não vou brincar com a palavra amor, como Drummond nos advertiu a não fazê-lo hoje no museu. Mas vou colocá-la nas bolas de sabão para, quando elas estourarem, derramarem ainda mais amor sobre nós. Como um sentimento que copula e procria, se multiplicando de todas as formas. E farei essa declaração de amor, como todas as declarações de amor: às dúzias e desnecessárias. Porque o amor não precisa delas para existir, nem tão pouco para se manifestar. Mas porque todas as declarações de amor são permeadas pela paixão, que dá aquela pitada de tempero à comida já tão saborosa. E com nossa paixão, que nutrimos cotidianamente, declaro agora meu amor por você, esse que existe e ponto. Porque é, porque há.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Nossos olhos correm...

Às vezes, nossos olhos correm.
Correm dos outros olhos,
Percorrem outros lugares,
Saem sem destino,
Buscando direções desconhecidas.

Às vezes, nossos olhos correm.
Correm pra dentro de si,
Percorrem o íntimo,
Procurando os motivos,
Sentimentos desconhecidos.

Às vezes, nossos olhos correm.
Correm ao encontro dos outros,
Contemplam que estava ali,
Não a explicação ou o desconhecido,
Mas a busca em si.