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36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.

quinta-feira, abril 07, 2011

Todo egoísmo é permitido, mas...

Todo egoísmo é permitido, mas hoje eu me superei. Fiquei muito chateada com algo tão bobo. Por ter sido apenas questionada sobre os meus amados dias de férias. Aqueles que significam boa porcentagem do meu afinco diário no trabalho, que juro não ser pouco.

Sim, eu me perdôo, porque todo egoísmo é permitido. Afinal somos serezinhos tão ínfimos e com sentimentos tão pequenos, mas essa também é nossa graça. Perdôo-me, permito meu egoísmo, mas não deixo de achá-lo ridículo.

Ridículo num dia em que o Japão mais uma vez, em tão pouco tempo, sofre mais um terremoto importante, com outra ameaça de tsunami, retirada apenas 1h e meia depois do alarme (imaginem a tortura da espera!).

Mais ridículo ainda num dia em que um maluco idiota entra num colégio e mata 12 adolescentes, deixa mais um tanto à beira da morte ou da sub-vida, fere fisicamente mais um monte e deixa vários traumatizados para o resto da vida, por esperarem acabar minutos de angústia, desenhando uma casinha na mão ou rezando (cada um a seu modo) e vendo seus colegas serem assassinados com tiros a queima roupa, por nada (imaginem mais uma vez a tortura da espera!).

E meu egoísmo é ridículo todos os dias. Sempre por coisas tão bobas e pequenas... Porque eu tenho tanta sorte na vida e sou tão abençoada que quase seria proibido que eu me permitisse esses caprichos. Mas, sim! Todo egoísmo é permitido. Porque essa também e nossa graça, mesmo num dia terrível como esse.

domingo, fevereiro 06, 2011

Intimidade - por Elizabeth Gilbert

"Todo casal do mundo tem o potencial de se tornar, com o tempo, um pequeno país isolado com dois habitantes, criando uma cultura própria, uma linguagem própria, um código moral próprio do qual ninguém mais pode participar".

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Um pijama listrado e um rio de lágrimas



Eu sei que não há nada mais batido no cinema que filmes sobre o holocausto. Talvez por isso não tenha feito questão de assistir ao "O menino do pijama listrado" quando saiu no cinema. Achei que não acrescentaria nada ao tema, nem à expectadora.

Neste domingo, percebi meu ledo engano. O filme pode não acrescentar muito ao tema do holocausto, mas é sublime em fazer refletir sobre a humanidade. Não só por mostrar a visão de uma criança de momentos históricos tão terríveis, mas também por retratar momentos de uma história fictícia que representam tanto sobre a nossa vida.

Nada do que eu escrever aqui poderá estragar 1 segundo sequer, então tomarei a liberdade de falar sobre alguns momentos muito especiais pra mim, que merecem ser destacados:

- Todos relacionados ao personagem Pavel são comoventes: sua resiliência, sua bondade mantida mesmo diante de tanto sofrimento e injustiça, seu olhar enquanto descasca as batatas... muitas lágrimas arrancadas dos meus olhos.

- O sofrimento de uma criança de 8 anos ao ser desleal com um amigo, por puro medo. Coagir alguém é uma das coisas mais abomináveis que se pode fazer, mas coagir uma criança, sem maturidade para impor sua vontade e aquilo que acredita ser correto, é uma maldade sem fim.

- A dor feminina da submissão. Como dói ver aquela mãe definhando a cada dia que passa, sua revolta contida e atrasada...

- Como uma mentira bem contada se transforma em verdade absoluta e faz um pai de família, uma menina de 12 anos, toda uma nação, não perceberem o absurdo de matar em massa milhões de pessoas por um motivo pífio, com requintes de crueldade desnecessária (pleonasmo não? Crueldade é sempre desnecessária).

- E, acima de tudo, como é humana a fraternidade, retratada tão lindamente pelos 2 meninos.

E lá se foi um rio de lágrimas... pela história fictícia, pela história real da época e de hoje, quando matar ainda é tão "barato" e a crueldade ainda é tão presente, contrariando tudo o que é natural.

segunda-feira, novembro 08, 2010

O imperfeito

Eu não preciso de mão na cabeça, mas não quero tapa na cara.
Não preciso de um soldado de defesa, mas não quero o ataque.
Não preciso tirar 10 na prova, mas não quero um zero final.
O que realmente preciso, por mais que saiba que é pedir demais, é do abraço e da acolhida quando os erros forem tantos que a nota não chegue a 5.
A marreta deixem comigo. Asseguro: é mais pesada que o suficiente.

terça-feira, outubro 19, 2010

Love story e filosofia

Quando criança, tinha mania de pegar frases de filmes para escrever na agenda (sim, porque não tínhamos esta tecnologia toda, nem computador nem nada e nossa diversão de menina eram as famosas e gordas agendas). Eis que no filme Love Story, uma das frases mais famosas era "amar é jamais ter que pedir perdão".
Na minha tenra idade, eu não compreendia muito bem o que isso significava, mas reproduzia como tantas outras mais incompreensíveis. Tempos mais tarde, entendi que quem amava jamais deveria produzir motivos para ser necessário o perdão do outro. Mais tarde ainda, discordei profundamente, porque somente no amor reside o verdadeiro perdão.
Hoje, entendo que só quem ama tem motivo suficiente para pedir desculpas com sinceridade e verdadeira intenção de nunca mais precisar fazê-lo, mesmo sabendo que isso é improvável, mesmo percebendo que vez ou outra se erra sem se dar conta.
Por isso, amar é a capacidade de pedir perdão e ainda mais a capacidade de perdoar.