"...a vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.(...)
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre – perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. "
Monteiro Lobato, em Memórias da Emília. Genial essa boneca!
Quem sou eu
- Camila Marim
- 36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.
domingo, dezembro 13, 2009
Declaração de amor
Não vou brincar com a palavra amor, como Drummond nos advertiu a não fazê-lo hoje no museu. Mas vou colocá-la nas bolas de sabão para, quando elas estourarem, derramarem ainda mais amor sobre nós. Como um sentimento que copula e procria, se multiplicando de todas as formas. E farei essa declaração de amor, como todas as declarações de amor: às dúzias e desnecessárias. Porque o amor não precisa delas para existir, nem tão pouco para se manifestar. Mas porque todas as declarações de amor são permeadas pela paixão, que dá aquela pitada de tempero à comida já tão saborosa. E com nossa paixão, que nutrimos cotidianamente, declaro agora meu amor por você, esse que existe e ponto. Porque é, porque há.
segunda-feira, novembro 09, 2009
Nossos olhos correm...
Às vezes, nossos olhos correm.
Correm dos outros olhos,
Percorrem outros lugares,
Saem sem destino,
Buscando direções desconhecidas.
Às vezes, nossos olhos correm.
Correm pra dentro de si,
Percorrem o íntimo,
Procurando os motivos,
Sentimentos desconhecidos.
Às vezes, nossos olhos correm.
Correm ao encontro dos outros,
Contemplam que estava ali,
Não a explicação ou o desconhecido,
Mas a busca em si.
Correm dos outros olhos,
Percorrem outros lugares,
Saem sem destino,
Buscando direções desconhecidas.
Às vezes, nossos olhos correm.
Correm pra dentro de si,
Percorrem o íntimo,
Procurando os motivos,
Sentimentos desconhecidos.
Às vezes, nossos olhos correm.
Correm ao encontro dos outros,
Contemplam que estava ali,
Não a explicação ou o desconhecido,
Mas a busca em si.
quinta-feira, outubro 08, 2009
Me sinto
Faz tempo que não escrevo como me sinto, ao menos por aqui. Talvez pela péssima impressão que tive, e que já descrevi aqui mesmo, sobre só escrever nos momentos ruins.
Mas hoje me deu vontade, depois de algum tempo apenas registrando entrelinhas ou coisas bonitas e interessantes que encontrei em outros lugares.
Me sinto tão bem, tão feliz, tão completa ultimamente, que às vezes nem parece verdade. Porque a gente amadurece, mas sempre guarda alguns ranços, como este estigma de que não existe felicidade.
Mas existe, muita, todo dia, espalhada entre as bobagens que se apagam e os problemas que sempre são resolvidos.
E aprendi a viver cada pequeno instante de felicidade como uma eternidade, a lembrar-me deles e de quanto sou feliz cada vez que um pensamento chatinho se coloca na minha cabeça.
Então, percebo que, de verdade nessa vida, ficam os sorrisos e o coração cheio que carrego, repleto de saudades boas, de pessoas amadas, de um presente que é um presente e de esperanças de um futuro sempre assim.
Mas hoje me deu vontade, depois de algum tempo apenas registrando entrelinhas ou coisas bonitas e interessantes que encontrei em outros lugares.
Me sinto tão bem, tão feliz, tão completa ultimamente, que às vezes nem parece verdade. Porque a gente amadurece, mas sempre guarda alguns ranços, como este estigma de que não existe felicidade.
Mas existe, muita, todo dia, espalhada entre as bobagens que se apagam e os problemas que sempre são resolvidos.
E aprendi a viver cada pequeno instante de felicidade como uma eternidade, a lembrar-me deles e de quanto sou feliz cada vez que um pensamento chatinho se coloca na minha cabeça.
Então, percebo que, de verdade nessa vida, ficam os sorrisos e o coração cheio que carrego, repleto de saudades boas, de pessoas amadas, de um presente que é um presente e de esperanças de um futuro sempre assim.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Um pouco de Woody Allen
Na cena final de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Woody Allen lembra uma piada antiga.
Um homem diz a um psiquiatra:
"Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha".
O médico diz:
"Então, porque você não o interna?".
Ao que Allen responde:
"Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos".
À piada segue uma pequena, porém brilhante, reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
Um homem diz a um psiquiatra:
"Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha".
O médico diz:
"Então, porque você não o interna?".
Ao que Allen responde:
"Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos".
À piada segue uma pequena, porém brilhante, reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos, insistimos porque a maioria de nós precisa dos ovos".
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