Minha favorita do Lulu e uma das minhas letras favoritas dentre todas. Tema de 2001 recordado agora e retomado sempre que visitado.
Tempos Modernos
Lulu Santos
Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear.
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito do firmamento ao chão.
Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão.
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não.
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir.
Quem sou eu
- Camila Marim
- 36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
O mistério de cada um
Definitivamente o ser humano não pode ser explicado ou compreendido por uma ciência exata. Tentamos classificar estereótipos e personalidades através da psicologia, decifrar cada indivíduo através da astrologia e de outras tantas "logias" surgidas depois, observar comportamentos prevalentes e colocar tudo isso em números e probabilidades através da estatística. Salvo esta última, todas estão bem longe de serem ciências exatas, assim como estamos bem longe de conseguir entender a humanidade e um ao outro com exatidão.
A verdade é que cada um de nós mal consegue entender a si próprio, nessa torrente de emoções que sentimos a cada minuto e na vastidão de pensamentos que passam pelas nossas cabeças no mesmo minuto. É muita pretensão, então, acharmos possível entender outro alguém, não acha?
Achar todo mundo acha, mas é verdade também que ninguém desiste dessa ingrata missão. É só ouvir um pouco de música ou ler alguma poesia e nos defrontamos com uma das mais antigas obsessões humanas:
“Ah!, se eu pudesse entender o que dizem os teus olhos...”
"Eu queria ver no escuro do mundo onde está tudo o que você quer"
Refletindo sobre os motivos que nos levam a essa quase tortura, percebi que talvez (talvez mesmo, assim sem exatidão alguma) seja essa nossa velha mania que faz nos interessarmos uns pelos outros. O desafio de decifrar o mistério de cada um ou parte dele pode ser o que nos faz querer passar mais tempo ao lado de alguém, em busca de mais uma peça para esse imenso quebra-cabeça. E a maior recompensa é descobrir nas peças dos outros quebra-cabeças, respostas para os próprios mistérios e deixá-los também serem desvendados, por si próprio e por quem você permitir.
A verdade é que cada um de nós mal consegue entender a si próprio, nessa torrente de emoções que sentimos a cada minuto e na vastidão de pensamentos que passam pelas nossas cabeças no mesmo minuto. É muita pretensão, então, acharmos possível entender outro alguém, não acha?
Achar todo mundo acha, mas é verdade também que ninguém desiste dessa ingrata missão. É só ouvir um pouco de música ou ler alguma poesia e nos defrontamos com uma das mais antigas obsessões humanas:
“Ah!, se eu pudesse entender o que dizem os teus olhos...”
"Eu queria ver no escuro do mundo onde está tudo o que você quer"
Refletindo sobre os motivos que nos levam a essa quase tortura, percebi que talvez (talvez mesmo, assim sem exatidão alguma) seja essa nossa velha mania que faz nos interessarmos uns pelos outros. O desafio de decifrar o mistério de cada um ou parte dele pode ser o que nos faz querer passar mais tempo ao lado de alguém, em busca de mais uma peça para esse imenso quebra-cabeça. E a maior recompensa é descobrir nas peças dos outros quebra-cabeças, respostas para os próprios mistérios e deixá-los também serem desvendados, por si próprio e por quem você permitir.
domingo, fevereiro 10, 2008
Ninguém é igual a ninguém...
Do velho e bom Humberto, mal humorado, por vezes antipático, mas que sabe escrever como poucos...
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
(...)
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém é igual a ninguém
(...)
Todos iguais e tão desiguais,
Uns mais iguais que os outros
Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca, os olhos úmidos)
(...)
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
(...)
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém é igual a ninguém
(...)
Todos iguais e tão desiguais,
Uns mais iguais que os outros
Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca, os olhos úmidos)
(...)
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
sábado, fevereiro 02, 2008
Metade de mim
Porque metade de mim é o que eu falo e a outra metade é o que eu calo.
Porque metade de mim é o que os meus olhos mostram e a outra metade é o que se revela em diálogos.
Metade
Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio
(...)
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
(...)
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também
Porque metade de mim é o que os meus olhos mostram e a outra metade é o que se revela em diálogos.
Metade
Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio
(...)
Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
(...)
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também
E agora?
Tem dias que a gente não sabe o que fazer consigo mesmo. Que o apartamento parece gigante, os livros vazios, a televisão sem opção, as músicas repetitivas e o computador enfadonho. O sono não chega, a cama te expulsa, a geladeira não tem nada que te interessa e você simplesmente se sente sozinho.
Dá vontade de pegar o telefone, mas você não quer atrapalhar ninguém.
Dá vontade de pegar o carro, mas você não tem pra onde ir.
Dá vontade de deitar no colo, mas você não alcança o seu.
Dá vontade de conversar sozinho, mas sua voz nunca é o suficiente.
Ainda bem que esses dias são raros e passam, de uma forma ou de outra. Nesses momentos, me rendo ao consolo da caneta (ou do teclado).
E sempre tem alguém que também já escreveu algo sobre o que você está sentindo...
"E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?"
Carlos Drummond de Andrade
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