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36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.

quarta-feira, abril 30, 2014

Tá confuso...

Eu não sei se o que incomoda mais é o egoísmo ou a agressividade. Mas esse mundo novo, de indivíduos autocentrados falando que felicidade é fazer o que se quer, sem pensar nos outros ou nas consequências, não me agrada muito não. Mas virou moda, fazer o que?

 E, te aviso, se você não concordar com essa “vibe” é por puro “recalque” (manja criança quando aprende palavrinha nova? Essa é a da vez da galera. E eu nem vou tocar no assunto do significado dela, porque isso seria muito recalque).

 E aí, esse mesmo mundo novo, de “não tô nem aí, faço mesmo” (ou "beijinho no ombro", se você preferir) resolve levantar bandeiras. Mas é tanta bandeira, meu irmão, que não dá nem pra saber o que o povo quer ou pensa de verdade. É um tal de “somos todos macacos”, “não vai ter copa” e defesa de tanta minoria que eu estou até começando a achar que faço parte de alguma. Afinal, também é moda né gente? Ser minoria ou, pelo menos, defender alguma delas uma vez por semana, no mínimo.

E, te aviso mais uma vez, se você não faz isso é porque é preconceituoso, faz parte de uma elite branca, direitista e alienada. E, só pra te deixar bem atualizado, não tem nada mais “out” que isso. Vai por mim. Mas, lembra que é pra ser assim só na internet, heim? Pode continuar tratando os outros com superioridade e sendo o dono da razão, “de boa”.

 Eu, do lado de cá da tela, ando totalmente perdida pra entender e definir o mundo que eu vivo. E está difícil ser moderna, gente! Você tem que ter uma opinião, se colocar, é feio ficar em cima do muro. Mas, se você falar, tem que ser em uníssono com a maioria (ou com a minoria, sei lá), do contrário é burro (pra usar uma palavra bem amena).

Sei não, ou minhas "timelines" tem muita gente obtusa, ou estou muito antiquada, ou a coerência mandou lembrança, ou perdi a capacidade de interpretar um texto, ou as pessoas perderam totalmente o humor, ou agora é bonito ser rude, ou agora é tudo isso misturado e é bom se acostumar. “Não tá fácil pra ninguém”.

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

"Antes da meia-noite"




Hoje assisti "Antes da meia-noite". Pra mim, o melhor da trilogia. Várias coisas nesse filme me
agradaram.

Primeiro, a idéia do livro perfeito que ele compartilha num balcão com vista pro mar. O encontro de várias pessoas com algum problema mental e a análise de suas percepções. Fala sério! Queria ler ontem um livro como esse.

Em segundo lugar, a conversa “de verdade” no almoço na Grécia (ah, os europeus, sempre anos luz a nossa frente!). Como é bom ouvir uma conversa de pessoas falando o que pensam, sem melindres ou jogos.

E, por último e o melhor: a beleza do amor maduro. O que permite a real intimidade, o espaço para dúvidas, a dança entre o cotidiano e os devaneios e a certeza de que, em um relacionamento, quando alguém ganha, todos perdem.

quarta-feira, junho 12, 2013

Inconsequência

Ultimamente tenho percebido um certo fenômeno estranho acontecendo por aí. Algumas pessoas perderam a noção de responsabilidade. Não, não é essa formal que talvez tenha passado por sua cabeça (essa pode estar faltando também). Estou falando da capacidade de se responsabilizar pelos seus atos, de parar de culpar os outros, o sistema, a maldade humana, a superficialidade, deus ou qualquer outra entidade/ser/coisa por tudo que dá errado.

É uma inconsequência total, como se tudo que é feito pudesse ser desfeito, tudo que é dito pudesse ser "desdito". E nem sempre é assim. Há coisas que são definitivas ou ainda que transformam definitivamente outras. Relações são construções e nem sempre uma reforma reconstrói algo da maneira como era. Confiança se conquista com muito tempo e se perde num segundo, bem querer é uma evolução da identificação e acaba com poucas ações destrutivas. Pedidos de desculpas e reações tardias, podem ser... tardias.

Fico imaginando que essas pessoas andam de marretas nas mãos sem entender a força e o que uma marretada pode causar. E quando descobrirem, terão muitas ruínas ao seu redor talvez sem entender o motivo de tudo. Quase que como para se protegerem de saber que foram elas mesmas, sozinhas e com sua falta de consciência brutal, que causaram tudo aquilo. Tomara! Ou não...

segunda-feira, maio 20, 2013

Incoerências (ou #prontofalei)

Não sei se estou ficando velha e chata, mas todo mundo anda com um discurso tão politicamente correto, tão enfadonho e tão desconectado de suas práticas...

Prometi não dar minhas opiniões no outro post, mas o blog é meu, entra quem quer e continua lendo quem ainda quiser. Não quer, passeia em outro site! Sem problemas, continuamos amigos. É que minha paciência anda pequena, pequena... do tamanho da coerência das pessoas.

Todo mundo "intelectual" é "de esquerda" só porque crescemos sendo ensinados que isso é um sinal de inteligência, de cultura. As pessoas ainda acreditam num socialismo que nem os comunistas mais ferrenhos (entre os que não ganham nada atualmente com isso, é claro) ainda defendem, porque até eles perceberam que as ditaduras socialistas não deram certo. Assim como nossa falsa democracia capitalista também não dá.

Mas o fato é que todo mundo que defende as cotas e os "bolsa-quaquercoisa" paternalistas (no pior sentido que a palavra pode ter), estudou, estuda e/ou vai colocar os filhos pra estudar nos melhores colégios privados e muito bem pagos. E quando a universidade pública estiver pior do que está vai perder seu status tal qual o ensino fundamental público perdeu no passado (e aí vão colocar os filhos na faculdade privada também).

Todo mundo que defende a atenção básica de saúde faz questão de ter acesso a algum plano privado de saúde e procura o melhor médico especialista quando se trata do seu filho ou o pronto-socorro mais próximo quando tem febre. Não conheci ninguém dessa turma que só bebesse água, repousasse e observasse por 3 dias um quadro gripal e que procurasse uma unidade básica de saúde quando isso acontece.

Todo mundo que defende que precisamos proteger as "crianças" menores de 18 anos morre de medo quando passa por uma delas, o mais longe possível diga-se de passagem (ou vai me dizer que alguém se aproxima pra tentar ajudar?). E assim por diante, acho que já deu pra entender do que eu estou falando.

E assim como a maldosa Globo e a perigosa Veja (sim, porque aprendemos também que elas são manipuladoras e nada confiáveis, "Beyond Citizen Kane", lembra?) produzem matérias com dados que desfavorecem um lado, há outras tantas fontes que produzem números fictícios do outro (ou alguém realmente acredita que os "melhores índices de saúde do continente" estão em Cuba?). E todos nós usamos um ou outro artigo pra corroborar nossas seríssimas opiniões sobre qualquer tema. A estatística e sua arte de torcer os números até que digam o que a gente quer ouvir!

E, se você acha que é uma exceção, pense bem! Só conheci uma pessoa realmente assim: uma admirável professora de universidade pública, cujo filho estudava em colégio público em São Paulo e não tinha convênio médico. Não usava Nike e provavelmente não tomava Coca-Cola. Parabéns pra ela pela coerência e me conte se você é mesmo uma exceção. Porque hoje eu realmente estou precisando acreditar que isso existe...

quinta-feira, abril 18, 2013

Opiniões

Eu podia falar aqui e agora sobre minha opinião a respeito de tantas coisas que tem acontecido e que são notícia. Tenho opinião sobre todas elas e já gostei muito de discutir qualquer assunto. Mas desde quando o mundo virou essa chatice bipartida, de extremistas para ambos os lados e para qualquer assunto, eu comecei a me desestimular com qualquer discussão, a do boteco e a da internet.

Não sei precisar quando isso começou, mas com as redes sociais com certeza isso ficou tão claro e cotidiano que transformou a chatice dessa gangorra em uma esterilidade total em qualquer conversa. As pessoas não querem mais saber as opiniões de ninguém, elas querem mudá-las e transformá-las em uma unanimidade (alguém já disse que toda unanimidade é burra, não?). As pessoas não querem mais nada intermediário, ou você é 8 ou 80 ou é em cima do muro. E se é diferente delas, com certeza é burro.

Então, pra que falar, me diz? Pra que discutir, pra que tentar acordos sociais de boa convivência? Pra que tentar praticar a civilidade? Pra que tentar aceitar a opinião dos outros? Se no fundo a gente continua sendo um bando de tolos que não consegue aprofundar nenhum assunto porque não sabe ceder nem debater, só reclamar...

E pra reclamar, eu estou fora. Não adiantou pra mim até agora e acho que vai continuar não adiantando. Então, prefiro assim: guardarei minhas opiniões para momentos oportunos onde ela é requerida legalmente e me reservo o direito de por aqui só falar amenidades. Porque nessas felizmente AINDA não há grandes radicalismos. Vamos aproveitar!