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36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

30 anos

Em homenagem a minha grande amiga que faz 30 anos amanhã e em minha própria homenagem, já que estou praticamente lá (pensando bem, vou ter que mudar o subtítulo do meu blog muito em breve), segue parte de uma crônica do Mário Prata:

"O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'. (...) São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam."

Quando tínhamos 18 anos, achávamos que aos 30 nossas vidas seriam completamente diferentes do que são e seu término estaria mais próximo do que está. Engraçado chegarmos lá nos sentindo tão bem com o que somos, sabendo que há tanto caminho pela frente e ainda com uma sensação de começo. Deve ser o fim do retorno de Saturno no nosso ciclo de vida, o que me lembra uma música linda, do eterno Renato, que vem bem a calhar com o momento:

"E aos vinte e nove com o retorno de Saturno, decidi começar a viver..."

E que o início seja maravilhoso, com o fôlego e a vitalidade dos 20 e a sabedoria e a tranqüilidade dos 40. Mistura boa, que só os 30 podem te proporcionar.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Pátria

Não sei bem o que é.
Adaptação, costume, cultura, paixão...
Só sei que descobri que nasci direitinho onde deveria.
Sol, calor, mar.
Feijão, cachaça, churrasco.
Samba, forró, bossa nova.
Gente, energia, alegria.
Tem jeito de não gostar?

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Heróis

Quantas vezes em sua vida você já posou de herói? Ainda que isso lhe custasse algum sacrifício, afinal não há atitude heróica que não venha acompanhada de, no mínimo, bastante altruísmo. Quantas vezes você se sentiu responsável por "salvar" alguém, manter as pessoas "seguras" ou qualquer coisa que o valha? Ainda que para isso abrisse mão da sua própria salvação, por assim dizer. Por vaidade de ser o herói de alguém ou porque este é o estereótipo que se espera de alguém "bom", não importa. Todos passamos por isso.
Mas ninguém é herói de ninguém. Mesmo os mais famosos por suas atitudes heróicas tinham imensas fragilidades e, com certeza, não ficavam nada confortáveis com as expectativas ao redor deles.
Estamos por aqui apenas em busca de nos descobrir no mundo e em nós mesmos. Vamos sangrar no meio do caminho, vamos sonhar, vamos perceber que o importante é viver o agora, o que pudermos experimentar com nossos sentidos... e tudo isso fará parte da estrada.
Despir-se dos personagens que criamos para saciar tantas expectativas, nossas e dos outros, é uma lição difícil de aprender. Cada pedaço dela arranca partes de você, abre feridas. Mas quando enfim ela termina, você descobre alguém maravilhoso por detrás de toda aquela roupagem e apaixona-se por si mesmo. Isso vale cada minuto de angústia...

E, deixando o preconceito de lado, apreciem esta música que me inspirou:
"Se eu quiser chorar, não ter que fingir, sei que posso errar, que é humano se ferir. Parece absurdo, mas tente aceitar que os heróis também podem sangrar. (...) Seja como for, agora eu sei que o meu papel não é ser herói no céu. É na Terra que eu vou viver. (...) Sou só mais alguém querendo encontrar a minha própria estrada pra trilhar (...) E não é fácil."

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Especial

Nando Reis é sempre perfeito. Eu já disse que se conseguisse escrever um décimo do que ele escreve, me sentiria um gênio. Mas essa se tornou pra lá de especial...

No recreio
Nando Reis

Quer saber quando te olhei na piscina
se apoiando com as mãos na borda
fervendo a água que não era tão fria
e um azulejo se partiu
porque a porta do nosso amor estava se abrindo
e os pés que irão por esse caminho
vão terminar no altar
Eu só queria me casar
com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
então quero mudar de lugar
eu quero estar no lugar
da sala pra te receber
na cor do esmalte que você vai escolher
só para as unhas pintar
quando é que você vai sacar
que o vão que fazem suas mãos
é só porque você não está comigo?
só é possível te amar...

seus pés se espalham em fivela e sandália
e o chão se abre por dois sorrisos
virão guiando o seu corpo que é praia
de um escândalo, charme macio
que cor terá se derreter?
que som os lábios vão lamber?
vem me ensinar a falar
vem me ensinar te comer
na minha boca agora mora o teu sexo
é a vista que os meus olhos querem ter
sem precisar procurar
nem descansar e adormecer
não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
olhar pro sol, só ver janela e cortina
no meu coração fiz um lar
o meu coração é o teu lar
e de que me adianta tanta mobília
se você não está comigo?
só é possível te amar
ouve os sinos, amor
só é possível te amar
escorre aos litros o amor

domingo, dezembro 16, 2007

Saudade

Queria escrever algo sobre saudade. Aquela que sinto por um dia só de ausência e sei que sentirei ainda mais nos próximos tempos. Saudade antecipada.
Mas, como freqüentemente ocorre, palavras me faltaram pra descrever essa sensação. Talvez eu até consiga mais tarde, mas queria dizer agora. Então recorri a um tal Wanderlino Arruda. Não sei quem ele é, nem o que faz, mas conseguiu me substituir perfeitamente neste momento.

"De onde veio realmente o vocábulo saudade? Do latim solitate (soledade, solidão)? Do árabe saudah? Dos arcaísmos soydade, suydade? Até Antenor Nascentes, que foi nosso melhor estudioso da etimologia, não é convincente na explicação da origem. Influência da palavra saúde, como pode parecer uma analogia fonética? Dificilmente.
Não sendo possível definir a matriz de onde sai esta filha tão grata a todos nós, resta-nos apenas a satisfação e a honra de tê-la em nosso vocabulário, sem o perigo de competição por parte de qualquer língua de dentro ou de fora de nossa família latina. (...)
E o que é mesmo saudade? Um sentimento que deve existir no coração de toda criatura humana, seja ela de qualquer raça, de qualquer parte do mundo, seja pobre, seja rica. A saudade não escolhe, não discrimina, não se faz de rogada para existir. Ela vem de mansinho ou vem fortemente, chegando quando menos se espera. A saudade é amiga da solidão, companheira inseparável do amor, visita invisível da amizade, às vezes pedaço de paixão, em muitos casos suave perfume de momentos de carinho e ternura. (...)
Saudade é dor que sufoca o coração e alegra a alma. Saudade é presença do ausente, é lembrança do bem-querer, um doce convívio com a distância, uma alegre e agradável tristeza do ver-não-vendo, do amar sem o objeto do amor... "