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36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Serviços

Ando num desânimo total em relação a prestação de serviços no nosso país! Se precisamos de qualquer tipo de atendimento pessoal, para resolver pequenas coisas do dia-a-dia, é sempre muito difícil, com pessoas despreparadas servindo de escudo para as empresas em que trabalham e com as quais você firmou contrato.
 
Por incrível que pareça, é mais fácil resolver os problemas por sistemas automatizados do que com o intermédio de pessoas. A sensação que tenho é que o ser humano está mais automatizado do que as próprias máquinas que é capaz de criar. As pessoas repetem frases escritas sem pensar no significado delas e sem entender se elas tem relação com o que acabaram de ouvir. É desolador!
 
Mas, se você encara como solução trocar de empresa prestadora, como sinalização sobre a necessidade de melhorarem seu atendimento, se depara com a triste realidade de que todas elas tem o mesmo padrão, muito ruim, de atendimento e serviços. Não tem pra onde fugir, apesar das propagandas maravilhosas e do forte marketing de todas elas.
 
E isso ainda é somado a total falta de infraestrutura que nos assola: falta de água e de energia, mobilidade caótica nos grandes centros urbanos, transporte público caro e insuficiente, saúde pública e privada corrompidas, educação fundamental absolutamente falha... etc, etc, etc, infinitos eteceteras acompanhados de impostos pagos sem nenhum retorno visível do "investimento".
 
Quem disser que isso podemos mudar com o nosso voto, deve saber que admiro, e muito, seu otimismo (e isso não é uma ironia, eu admiro mesmo e gostaria de ter um pouco dele nesse momento). Mas não mudamos nada com o nosso voto nas últimas eleições, aliás não mudamos se quer o nosso voto. E nem o meu consolo de que a parte da população que mais precisa do Estado pelo menos está sendo assistida ultimamente tem sido muito verdade.
 
É muita maquiagem para pouca beleza, por todos os lados. E, às vezes, sem maquiagem nem beleza mesmo.

terça-feira, janeiro 06, 2015

O Poderoso Chefão, o Oriente Médio e a violência urbana no Brasil

Havia acabado de revisitar a trilogia de O Poderoso Chefão quando terminei a leitura de O Anjo Caído, de Daniel Silva. Encontrei uma semelhança muito grande entre os 2. Não no tipo de arte ou na forma de contar uma história, mas no conteúdo em si, na raiz da violência que ambos mostram com tanta eficiência.

No último filme da famosa grife The Godfather (e isso não é nenhum spoiler significativo) Kay e Michael estão declarando seu amor, mesmo ela tendo se afastado por discordar das atitudes e reações violentas do marido em diversos momentos de sua vida em conjunto. Ele, por sua vez, mostra arrependimento e refere ter se motivado sempre na proteção de sua família. Nesse momento, alguém chega dizendo que seu anfitrião na Sicília acabava de ser assassinado por alguém que estava atrás de Michael e Kay pensa: “isso nunca termina”.

Assim também é no conflito do Oriente Médio, que serve de palco para o thriller O Anjo Caído. Em determinado momento, um personagem do livro se recorda da frase que Saladino supostamente teria dito ao seu querido filho Zahir: “Aconselho-o a não derramar sangue, a não o permitir, nem fazer disso um hábito, pois o sangue nunca dorme”.  

Ironicamente, na mesma semana que fui exposta a essa carga de violência fictícia motivada por vinganças sucessivas que parecem não ter fim, tivemos uma série de assaltos a turistas da semana de Rèveillon. Mas, ao contrário de começarmos um novo ciclo, uma nova vida, um ano diferente, os atos e discursos permaneciam os mesmos do velho 2014. De um lado, os bandidos ousando cada vez mais, não se preocupando sequer em esconder o rosto e “ostentando” suas armas e maldade a quem quiser ver. Do outro lado, um grande número de pessoas clamando por sofrimento e sangue em nome da justiça. Afinal, “bandido bom é bandido morto”.

Aturdida com a relação observada entre as antigas máfias, o eterno conflito no mundo árabe e a nossa crescente violência urbana e social, a expressão “o sangue nunca dorme” não conseguiu sair da minha cabeça. E, ainda no livro, havia uma menção a essa parte do alcorão, que acredito ser um incentivo para os jihadistas do Estado Islâmico, estes que há algum tempo são fonte de grande preocupação para mim e suponho que para muita gente:

 “(...) fechou os olhos e recitou mentalmente o Verso da Espada do Alcorão: Combatei e matai os idólatras onde quer que os encontreis, aprisionai-os, acossai-os, ponde-vos à espera e emboscai-os, usando todas as estratégias de guerra

Não me parece exagero dizer que, se trocarmos “idólatras” por “inimigos”, esse verso, que justifica tanta barbárie, parece ser inspiração não só para terroristas. Não conheço profundamente nenhum dos temas que relacionei. Nunca estudei de forma satisfatória a história das máfias, o islamismo, o conflito Israel-Palestina e nem mesmo entendo muito bem de segurança urbana. Gostaria muito de conhecer também análises positivas sobre a evolução do civismo e da bondade humana. Mas essa semana uma verdade ainda atual me assombrou: nosso sangue nunca dorme. 

domingo, outubro 26, 2014

Minha visão dos fatos

Fiquei quietinha durante toda a campanha eleitoral, especialmente após o primeiro turno, porque o resultado já havia me decepcionado o suficiente. Não por ser ingênua, não acreditava que qualquer pessoa ou partido bem intencionado fosse se eleger, mas porque esperava que os votos em alternativas de governo poderiam ser mais expressivos depois de junho de 2013.

Infelizmente, um pouco da minha sensação pessimista na época daquelas manifestações de junho se confirmou ao término da apuração do primeiro turno. E ano passado eu não me calei tanto, mas também não deixei claro que achava tudo um fogo de palha sem fim. Pouca gente sabia o que estava fazendo na rua e o discurso passava longe da uniformidade.

De qualquer forma, nem em meu pior momento de pessimismo acreditava que pudesse ser possível essa guerra de egoísmos e vaidades que se transformou a campanha deste ano. E, mais uma vez infelizmente, eu não estou falando só dos candidatos e seus partidos, farinha do mesmo saco na minha modesta opinião. Estou falando das pessoas, conhecidas minhas ou não, que se manifestaram de forma tão infeliz nas redes sociais, nas ruas e em discussões mais íntimas. Não tenho nada contra posicionamentos políticos, pelo contrário, mas o que vimos por aqui não foi isso. Desculpem-me os que se manifestaram e acharam adequadas suas colocações. Mas TUDO o que eu li e boa parte do que ouvi não passou de uma arrogância absurda.

Eu sinto muito fazer parte disso. Não porque agora vivemos num país dividido ou pelo resultado da eleição. Sinto muito viver em um lugar onde as pessoas são tão agressivas e preconceituosas em discurso (de ambos os lados que se manifestaram), mas tão pouco pró ativas para executarem o que pensam ser correto.

Já disse tantas vezes e repito, porque essa polarização ridícula não mudou em nada esse cenário, que, enquanto acharmos aceitável esse abismo social e essas corrupções cotidianas de toda a população, nunca viveremos em um país com segurança e condições econômicas que tantos alardeiam querer ou de saúde e educação para todos que tantos almejam e precisam. E quem diz que se preocupa com o outro, pouco está fazendo por isso também. Logo, nenhum de nós tem moral para falar um do outro. Muito menos para posar de dono da verdade igual tantos estão fazendo.

Por fim, viver em democracia é aceitar que todos os cidadãos participam com equidade do governo, através da escolha de seus representantes. E aceitar que os representantes estão eleitos, o legislativo formado como reflexo da nossa sociedade e o executivo de acordo com as expectativas da maioria.

Ficar insatisfeito não dá direito a ninguém de inventar histórias escalafobéticas ou dizer que o outro não poderá reclamar. Faça diferença você! E comece pela boa educação e pela ética. E se a insatisfação é tão grande ao ponto de você querer separações ou mudanças de país, simplesmente reflita de verdade se é o que deseja e tome atitudes em relação a isso, ao invés de ficar vomitando sua irritação aos quatro ventos para amanhã acordar como se nada tivesse acontecido.

E, se ficou satisfeito, cobre de seus representantes o que o levou a votar neles. Permaneça atento. Deixe a arrogância de lado, se não puder eliminá-la, e entenda que a efetividade dos seus candidatos nos pontos que você aprova só acontece porque há oposição, não importa se ela é esquerda, direita, centro, amarela ou lilás. Deixe pra trás essa postura tão feia das últimas semanas e ajude os seus candidatos a governarem para todos, porque só assim eles serão bem sucedidos.
 
E, por favor, não justifiquem essa palhaçada que assistimos de ambos os lados com a tão famosa "liberdade de expressão". Não existe liberdade sem respeito.
 
E como sempre é tempo, que tal nos respeitarmos a partir de agora? ;)

quarta-feira, outubro 08, 2014

Escrever

"Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode até sair uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta."
Caio Fernando Abreu

domingo, agosto 10, 2014

Viagens

Eu não acredito em conceitos pré-definidos, não acredito em verdades universais, não acredito em pior ou melhor. Quando viajo não tenho saudades de casa ou da comida ou de valores. Eu apenas me entrego, tento me abrir a novas perspectivas e sempre trago na bagagem muitas novas ideias e sensações.

Porque nunca ninguém me convencerá que arroz e feijão é melhor que pasta ou esta é melhor que foie gras (sejam quais forem as comidas e sua ordem colocada nesta sentença). Eu experimento tudo e sei que meu paladar muitas vezes não combina com o dos outros.

Nunca me convencerão ainda que alguém é melhor ou mais elegante porque depila as pernas, penteia o cabelo ou esmalta as unhas. Ou porque usa cores pastel e tailleur e não uma túnica colorida. Ou porque tem 50, 60 ou 70 quilos. Isso não depende do que eu acho bonito, até porque beleza também é um conceito cultural.

Apesar de me incomodar com algumas características, como intolerância e lentidão de raciocínio, eu não tenho muito preconceito com pessoas, como todos sempre dizem não ter. Mas me orgulho de não ter preconceito também com cheiros, sabores, estilos e modos de vida. Juízo de valor é algo que só faz sentido quando alguém é prejudicado por outro.

Viajar sempre me deixa isso claro: "cuidado com seus julgamentos, dos mais banais aos mais relevantes". Volto sempre com um acréscimo de conhecimentos sobre o mundo e sobre mim mesma.

E, pra mim, melhor mesmo é o que coloca um sorriso no rosto. E muitas coisas diferentes são capazes de me fazer sorrir, principalmente viagens e arte. Mas eu sei que os outros sorriem por diferentes motivos. Ainda bem, enfadonho seria o contrário. Importante é ser feliz com o que se é e onde se quer. Eu sou feliz no mundo.