Quem sou eu
- Camila Marim
- 36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Cafuné
terça-feira, dezembro 16, 2008
Porta
Das coisas que cantei pra você...
Entre as coisas bem-vindas que já recebi, eu reconheci minhas cores nela e então eu me vi.
E as coisas lindas são mais lindas, quando você está, onde você está.
Hoje você está nas coisas tão mais lindas.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Vontade
Assunto que tem me tomado bastante tempo nas constantes (ou inconstantes?) reflexões diárias é o conceito de vontade e o que ela de fato representa pra mim, pros outros, enfim...
Na procura por fundamentos que me guiassem, encontrei um artigo bastante interessante que relaciona as visões de Schopenhauer e Nietzsche a respeito do tema. Já deixo aqui o link pra quem quiser fazer uma pequena digressão ou aprofundar o tema após as considerações que se seguem.
http://www.bocc.ubi.pt/pag/montardo-sandra-schopenhauer-nietzsche.pdf
Primeiro vamos a Schopenhauer. E nesse momento é importante que eu ressalte que, até agora, o pouco que sei sobre esse tal filósofo me incomoda profundamente, no que tange ao seu pessimismo insistente. No entanto, resolvi me despir de todo e qualquer pré-conceito e mergulhar em algumas das suas observações.
Schopenhauer coloca que a vontade é livre, autônoma e onipresente (...). Tudo o mais não existe sem que exista a vontade.
Schopenhauer coloca que viver é sofrer, pois a vontade é infinita e jamais saciada, ao que se acrescenta que a base de todo querer é uma falta, uma indigência. Desse modo, o homem sendo a mais perfeita objetivação da vontade, é também o mais necessitante, sendo que sua vida oscila entre a dor e o fastio.
Schopenhauer afirma que cada um dispõe do sofrimento que se faz necessário para a sua própria vida. Porém, a dose de sofrimento solicitada por um homem parece ser diretamente proporcional à sua incapacidade de reconhecê-la, reportando-o para inexistências presas ao passado e ao futuro. Nesses casos, este homem não consegue nem admitir o que o faz viver, tampouco consegue enxergar no presente oportunidade para desviar-se dessa condição. Afinal, não se aprende a querer.
Schopenhauer também fala que o mundo é a representação da vontade, espelho desta, na medida que é onde o homem pode reconhecê-la. E isto porque a vontade como essência, como coisa em si, é insconsciente em si mesma, necessitando da ação do homem para tornar-se consciente. Vale dizer que este, por sua vez, só tomará consciência da própria vontade a partir da concretização desta em atos. Ou seja, seu caráter empírico informará ao seu caráter inteligível a sua vontade após a sua concretização. Eis o mundo como representação.
Agora vamos a Nietzsche e, também aqui quero ressaltar um pequeno detalhe. Sua obra ainda é pra mim quase indecifrável. Talvez porque, quando eu comecei de fato a me interessar por filosofia, já tenha entrado “com o pé na porta” e iniciado a leitura de Além do bem e do mal, que continua me aguardando na minha estante após várias tentativas de absorver o que ali estava escrito. Mas, como sou persistente, resolvi também me entreter com suas observações a respeito da vontade.
“Só onde há vida há vontade; não vontade de vida, mas como eu predico, vontade de domínio. Há muitas coisas que o vivente aprecia mais do que a vida; mas nas próximas apreciações fala a ‘vontade de domínio’ ”.
A vontade toma por base a falta que deve ser suprida, para que haja espaço a uma nova forma de supri-la, já que a vontade é insaciável. Quanto a isso, Nietzsche fala que somente quando o homem enfastiasse-se de sua sublimidade principiaria a sua beleza.
Nietzsche propõe que cada homem deve exigir mais do que a ninguém de si mesmo a beleza, de modo que essa bondade seria a última vitória de cada um sobre si mesmo. Nota-se, no entanto, que Nietzsche diferencia esta bondade da dos que se consideram bons por servirem aos outros ao invés de servirem a si mesmos, sem darem-se conta, ao menos, de que estão satisfazendo a própria vontade de serem rebanhos ou vassalos do que quer que seja. Quanto a estes, este pensador expõe que eles colocam a sua vida no rio do porvir, acreditando em algo longe e exterior a si próprios, submetendo-se a deuses e ao futuro de maneira passiva, onde a única vontade que se manifesta é a de se realizar pela projeção em algo externo e independentes de sua existência, ainda que quem pinta os contornos dessa inconsistência brumosa seja cada um deles.
Agora, algumas considerações minhas e aqui, mais do que nunca, é relevante destacar que ainda terei que reler o artigo e as obras no qual foi baseado muitas vezes pra conseguir de fato compreender tudo o que foi escrito. Vou ousar concluir por hora com:
- Se tudo que é vivo tem vontade e se a vontade é autônoma e onipresente, não há como viver sem ela.
- Se a vontade é infinita e insaciável, por mais que você descubra formas de saciá-la parcialmente, continuará buscando e precisando de mais.
- Se você e o mundo são representações da vontade, concordo com Nietzche: tome as rédeas da situação – seja fiel a sua vontade e não a coloque na mão do que eu chamaria de acaso.
- E, por mais que a vontade seja inconsciente, procure reconhecê-la, a despeito do fatalismo de Schopenhauer ou da recriminação de Nietzsche a algumas manifestações dela. Por mais que ela seja insaciável, momentâneos prazeres acontecerão quando você saciá-la, ainda que parcialmente e, se o que existe é apenas o presente, eles hão de ser bem vindos.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
O que você faria?
Não vou colocar aqui o que eu faria e o motivo pra isso é muito simples (apesar de paradoxal, visto que tenho um blog): descobri que exposição gratuita nem sempre é benéfica, portanto é necessário utilizá-la com moderação.
De qualquer forma, o exercício é divertidíssimo e muito esclarecedor, portanto resolvi dividi-lo com quem quer que seja que leia esse blog e queira tentar. E pra se inspirar um pouco, vão as perguntas (ou resposta?) do Paulinho Moska, meu mais novo convidado no local:
Meu amor o que você faria?
Se só te restasse um dia
Se O mundo fosse acabar
Me diz o que você faria?
Ia manter sua agenda
de almoço hora apatia
Ou ia esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Corria pra um shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não da tempo
Pro tempo que já se perdia
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Abria a porta do Hospício
Trancava da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria