Quem sou eu

Minha foto
36 anos, curiosa e viajante. Nas horas vagas, também dona de casa, professora e enfermeira.

sábado, novembro 15, 2008

Inquietude

Estou tão cansada da minha inquietude. Sei que ela me fez ir atrás de muitas coisas na vida. Mas também tem me feito empurrar outras pra longe.

Porque a inquietude, aos olhos menos avisados, parece insaciabilidade. E, às vezes, até mesmo pra mim, elas se confundem. Toda eu me confundo e, então, entro no meu mundo de pensar e pensar e esqueço o que tem lá fora.

Ultimamente, este blog tem sido o reflexo disso. Dessa minha inquietude. Deixei de colocar aqui todas as coisas boas, apesar delas terem continuado a acontecer, e me concentrei em escrever nos momentos de inquietude.

Guardei para o álbum de fotografias todas as coisas boas e para o meu livro de escritas meus fantasmas.

Estranhamente, escondi o álbum e deixei exposto o que não era necessário, o que era ínfimo e momentâneo.

Por causa dessa minha inquietude, que roubou minha paz. Aquela que cantei nesse mesmo livro de escritas...

terça-feira, novembro 11, 2008

Mente de macaco

Não é meu mais me cai como uma luva. Texto de Elizabeth Gilbert em Comer, Rezar, Amar.

"Como boa parte dos humanóides, carrego o fardo daquilo que os budistas chamam de "mente de macaco" - pensamentos que pulam de galho em galho, parando apenas para coçar, cuspir e guinchar. Desde o passado remoto até o futuro desconhecido, minha mente fica pulando a esmo pelo tempo, tendo dúzias de idéias por minuto, descontrolada e sem disciplina. Isso, em si, não é necessariamente um problema; o problema é o apego emocional que acompanha o pensamento. Pensamentos felizes me tornam feliz, mas - vupt! - com que rapidez torno a me prender em preocupações obcessivas, estragando a felicidade; (...) O outro problema é que essa pulação de galhos do pensamento é que você nunca está onde está. (...) É um pouco como o hábito da minha amiga Susan que, sempre que vê um lugar bonito, exclama quase em pânico, ' Que lindo isto aui! Quero voltar algum dia! ', e preciso lançar mão de todo meu poder de persuasão para tentar convencê-la de que ela já está lá".

segunda-feira, novembro 10, 2008

Mais de Drummond pra você...

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Choque de realidade

A vida como ela é assusta os mais desavisados ou ingênuos. Não somos capazes de compreender a mesquinharia humana e o sistema em que vivemos. Somos todos marionetes, cobaias sendo testadas pra ver até onde agüentamos. Mas devemos suportar, nem que seja só de sacanagem...
E em homenagem ao choque de realidade que tive hoje, um pouquinho de Renato Russo:

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói

Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar.

domingo, novembro 02, 2008

Complexo de Cinderela

Partida pela ambivalência entre o complexo de Cinderela e minha criação espanhola matriarcal, sinto tremenda dificuldade em entender o que quero ou como quero. A menina Cinderela, frágil, que precisa ser cuidada, não se cansa de brigar com a mulher forte, independente e auto-suficiente que fui educada para ser.

Por vezes, sinto uma solidão algoz, um desejo incontrolável de colo e abraço, mas não sei pedir. Não aprendi como pedir nada a ninguém e sempre acabo me sentindo culpada por precisar de algo e ter que incomodar alguém por conta disso. Não que não seja rodeada de pessoas maravilhosas a quem poderia recorrer, muito pelo contrário! Mas sempre penso em como as tiraria de sua rotina tranqüila ou de seus afazeres com outras coisas e com as outras pessoas importantes da vida.

Sei que na minha geração é absolutamente normal (e muito prazeroso) ir ao cinema sozinha, preparar um jantar saboroso e trabalhoso só para você em um dia de semana qualquer, sentar no sofá para ver um bom filme ou ler um delicioso livro, muitas vezes acompanhada de um vinho ou de orgias alimentares. E faço tudo isso, claro! Mas esta mesma geração é meio Bridget Jones (All by myself... cena clássica) e obviamente tem seus dias de “cansaço” com toda essa independência.

Somado a tudo isso, o âmago do complexo de Cinderela, da princesinha que é “salva” de todas suas mazelas com toda a temática de um conto de fadas. Essa expectativa da mágica, das pessoas adivinharem seus desejos mais profundos, de tudo se resolver sem nenhum esforço maior, é mais um ingrediente pra confusão tipicamente feminina (digo feminina, porque desconheço as dúvidas intrínsecas ao mundo masculino).

Complicado é conseguir administrar todo esse “balaio” interno sem virar uma pessoa insuportável (para você e para os outros) e sem permitir que isso interfira nos seus pequenos prazeres da vida.